Através dos contos podemos desenvolver um belo trabalho com os alunos, pois abarcamos a parte de português, geografia, artes, convivência social e sua organização entre outros aspectos dos temas transversais. Hoje passo a dica do conto indígena.
O mito da
lagarta Kurupêakê
“Havia um tempo em que Wayana não se pintava”. Certo dia, uma jovem ao
se banhar viu boiando n’água vários frutos de jenipapo recobertos de figuras.
- Ah! Para eu me pintar – exclamou.
Nessa mesma noite, um rapaz procurou-a na aldeia até a encontrar.
Tornaram-se amantes, dormindo juntos noite após noite. Entretanto, ao
alvorecer, o jovem sempre desaparecia. Uma noite, contudo, o pai da moça rogou-lhe
que permanecesse. E ele ficou. Quando clareou perceberam que seu corpo era
inteiramente decorado com meandros negros. Como o acharam belo, pintou a todos,
ensinando-lhes esta arte.
Um dia o jenipapo terminou. O jovem desconhecido chamou a amante e foram
a sua procura. Próximo ao jenipapeiro pediu-lhe que o aguardasse, enquanto
colhia os frutos. Ela não obedeceu, foi vê-lo subir na árvore. O que viu,
entretanto, não foi o amante, mas uma imensa lagarta, toda pintada com os
mesmos motivos.
Enfurecida, disse-lhe para nunca mais voltar a sua aldeia, pois seus
irmãos iriam matá-lo. Arrecadou os
frutos que estavam caídos no chão e regressou
sozinha."
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